Cap. 02
Eu a encarava com fascinação e enfim acordando de meus devaneios sorri para ela deixando-a confusa.
- Está rindo de quê? – rosnou ela – Não tem medo de morrer?
- Por você? – perguntei um pouco divertido – Não. Por você não...
Ela começou a gargalhar e mais uma vez sua voz era embriagante. Por incrível que pareça, eu me sentia bem com sua presença, mesmo com sua aparência ameaçadora.
- Não imagina quantos eu não já matei... E eu o fiz com prazer, rindo depois de seus corpos estirados no chão sem nem uma gota de sangue. – falou ela gargalhando em seguida.
Eu apenas ficava lá... Parado... A admirando... Sim, eu era louco e não tinha medo de morrer... Para mim a morte era só uma passagem... Não importa quem ficasse... Não me importava com ninguém nesse mundo a não ser meu irmão que era a minha única família...
- Não tenho medo da morte. – falei fazendo-a parar de rir e fazendo-me me arrepender de ter dito alguma coisa.
- Você é corajoso garoto. – falava ela enquanto caminhava em minha direção – Está diante de uma vampira te ameaçando de morte, mas não sente nem um pingo de medo...? Confesso que estou admirada com tal façanha...
- Confesso que sempre tive curiosidades sobre os vampiros, mas nunca em minha vida esperei conhecer um pessoalmente... – falei devagar querendo transparecer calma para ela – Gostaria de perguntar várias coisas sobre sua vida... Ou morte... – falei fazendo-a sorrir por um breve instante – Mas estou morrendo de sono e amanhã eu tenho que levantar cedo. Então... Boa noite!
Falei e fui caminhando até a porta. Ela não saiu do lugar. Apenas ficou olhando-me afastar até que fui surpreendido por sua voz. Saiu baixa, mas pude ouvir um lindo “Boa noite!”...
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Na manhã seguinte meu irmão me acordou cedo. Ele queria que eu o ajudasse a organizar alguns exames. Ele era médico, mas muito desorganizado e sempre deixava para eu ajudá-lo a arrumar. O bom era que eu ganhava alguma coisa no final... Eu me levantei resmungando de dor no corpo... Devia ser por ter carregado várias caixas pesadas. Não estava acostumado com isso... Fui para o banheiro lavar meu rosto para ver se acordava, mas no final meus olhos arderam deixando-me com mais sono ainda. Desisti de tentar acordar e fui ajudá-lo.
Era muito papel... Estavam todos em cima da mesinha de centro da sala. Não sei como ele conseguia juntar tanto trabalho para fazer. Bufei e sentei-me no chão começando a separá-los em ordem alfabética.
Seu escritório era do lado de casa, então quando ele está fechado os pacientes vêm todos aqui perturbar.
A manhã passou voando, e quando eu vi já estava na hora do almoço. Não tínhamos empregada e não gostávamos de gastar dinheiro pedindo pizza todo dia. No começo foi assim, mas logo enjoamos então quem deveria fazer o almoço...? Eu. É claro!
Fui pra cozinha e peguei o arroz e comecei a moldá-lo com as mãos. Hoje iríamos comer Onigiri. Peguei a faca para abrir o pacote de ameixas, mas acabei colando muito força que, além de cortar o pacote, cortei o meu dedo.
Neste exato momento meu irmão apareceu na cozinha e veio correndo em minha direção. Estava saindo muito sangue e não parava. Itachi enrolou um pano em volta e ficou apertando tentando prender o sangue para parar de sair. Era uma terrível hemorragia...
Assim que o sangue parou de sair desesperadamente, Itachi saiu de perto de mim e correu para o banheiro. Eu o vi procurando no armário alguma coisa e logo voltou com uma caixa de primeiros-socorros. Ele tirou o pano e eu vi o tamanho do corte. Nem havia sido tão fundo para ter saído tanto sangue. Assim que ele terminou de fazer o curativo, colocou o dedo embaixo do meu olho examinando-os.
- Você está com anemia... Amanhã eu vou fazer alguns exames com você... Vai sentar lá no sofá que eu termino aqui... – ele falou e logo depois começou a pegar as ameixas colocando-as no bolinho.
Eu fui pra sala e continuei arrumando os papéis... Parei só para comer os onigiri, mas logo voltei aos exames. Assim como a tarde passou bem rápido também. Só vi quando estava na hora de me arrumar para ir pra escola e ainda não haviam acabado os papéis...
Fiquei sem comer nada depois do almoço, então depois de tomar banho e me arrumar eu peguei qualquer coisa na cozinha e sai de casa.
Assim que fechei a porta, dei de cara com minha professora saindo do apartamento dela também. Ela me viu e sorriu divertida.
- Boa noite Sasuke-kun...
- “Kun...? Já nessa intimidade...?” Boa noite! – respondi a ela.
Quando saímos do prédio, vi que já estava escuro. Não tinha tantas pessoas nas ruas, mas ainda sim estava movimentada. Fomos pra escola juntos, mas não dissemos nada o caminho todo... Não me importei muito com isso, mas era um pouco frustrante.
Chegamos a escola e ela foi para a sala dos professores enquanto eu fui pra minha sala. Evitei qualquer um que tentou falar comigo e fui direito para minha carteira que era a ultima da fileira da janela. Naruto tentou dizer alguma coisa também, mas apesar de ser meu amigo, foi ignorado como os outros.
O sinal tocou, e como sempre todos foram para suas carteiras e calaram a boca. Era incrível como uma sala tão barulhenta podia ficar tão quieta...
A professora entrou na sala e começou a dar sua aula. Tenho que me lembrar de perguntar a ela do porque resolveu se disfarçar como professora...
Continua...